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Published On:domingo, 10 de março de 2013
Postado Por José Silva

Mulheres devem se preparar e ter maior papel na Igreja, dizem freiras


Muitas vezes comparado a uma eleição como as de presidentes e outros cargos políticos que ocorrem em todo o mundo, o conclave que começa na próxima terça-feira (12), do qual sairá o novo Papa, tem uma diferença essencial em relação a outras eleições: a falta de participação de mulheres. Enquanto em boa parte do mundo elas podem votar e ser votadas, na Igreja Católica o poder de decisão ainda é restrito aos homens. A demanda por mais participação das mulheres, e até mesmo sua ordenação, é algo que tem crescido nos últimos anos entre os católicos. Até mesmo freiras admitem que o papel das mulheres na Igreja ainda precisa crescer, mas o modo como pode ser dada sua influência e quando isso efetivamente acontecerá ainda divide opiniões.

A irmã Maria Luisa Labarta, espanhola que vive há mais de 40 anos em Roma, diz que há necessidade de mais participação das mulheres na Igreja, mas acredita que isso não vai acontecer tão cedo. “Penso que as mulheres podem ajudar muito a Igreja, há muitas preparadas, que trabalham em tantas congregações. Há necessidade de mais participação. Mas acredito que ainda vai demorar muito tempo para que as mulheres possam ter acesso a esses postos”, disse ela ao G1.
A freira, que faz parte da Congregação das Irmãs Escolápias, lembra que apesar de a situação na Igreja ser mais crítica, muitas mulheres ainda não são consideradas iguais aos homens em diversos setores da sociedade, e afirma que dentro da Igreja, as mulheres ainda têm preparação pior que a dos homens.

“Acredito que é muito importante a preparação própria. Às vezes, me parece que as próprias mulheres tem uma mentalidade machista, consideram-se inferiores. Inclusive na vida religiosa, falta muita consciência de que as mulheres também têm a inteligência e podem fazer o mesmo que os homens. Mas precisam de uma preparação, como os homens”, diz a freira. “Os sacerdotes passam muitos anos de preparando, estudando. As mulheres não têm essa preparação, são poucas as que se aprofundam no estudo da teologia. Penso que as mulheres devem ter mais espaço, mas elas próprias devem ser conscientes e se preparar da maneira necessária.”

Os estudos para as mulheres religiosas, entretanto, tendem a ser mais difíceis de serem levados a frente que pelos homens. A irmã brasileira Leonor Angeli, de 71 anos, há cinco em Roma, lembra que os homens são liberados por muitos anos para se aperfeiçoarem nos estudos, enquanto as mulheres religiosas precisam manter o trabalho em suas comunidades. “A mulher também estuda, mas junto com o estudo ela trabalha. Ela tem que se manter, é um pouco diversa essa questão. Ela tem que trabalhar para manter os recursos. Os homens têm um papel mais claro, mais específico. Eles têm mais espaço para conseguir se aperfeiçoar.”

Com 50 anos de vida religiosa completados em janeiro, a religiosa, que faz parte da Congregação das Irmãs de Santa Catarina de Alexandria, reconhece que o papel das mulheres dentro da Igreja ainda é “um pouco deficitário”, mas diz que elas já ganharam algum espaço nos últimos anos. “Não é o que desejaríamos ter, mas já conquistamos muitas coisas. Isso não muda de um dia para o outro, leva anos. Com o novo Papa, temos esperança de que algumas coisas mudem e que as mulheres possam caminhar junto aos homens – nem na frente, nem atrás. Não necessariamente com a ordenação de mulheres, não precisa de ordenação para se chegar a um estado mais elevado dentro da Igreja.”

Responsável pela coordenação da mesma congregação, a freira brasileira Vera Loss, também de 71 anos, lembra que restrição do sacerdócio aos homens é uma tradição iniciada com Jesus Cristo, mas não um dogma de fé. “Nos religiosas vivemos uma missão específica, vivemos o sacerdócio cristão como mulheres consagradas a Deus, o que é diferente do sacerdócio ministerial, que tem uma tradição grande de sempre ter sido exercido por homens. Com a mudança dos tempos isso pode também mudar, não é contrario à fé se a Igreja, de comum acordo, decidir que a mulher pode prestar esse serviço”, afirma.

A freira, que mora há seis anos em Roma, lembra que o ministério sacerdotal tem um peso difícil, “que somente corações generosos podem aceitar”, e afirma não ver o sacerdócio como uma oportunidade de poder para as mulheres, porque ele “é um serviço em favor dos outros, e não em beneficio próprio.”

Irmã Vera diz acreditar que essa abertura não acontecerá tão rapidamente, mas diz não saber se a mudança demorará tanto quanto alguns analistas preveem. “Outras igrejas cristãs, algumas protestantes, já fizeram uma abertura, chamaram mulheres para o ministério sacerdotal. É um campo aberto. Mas se a Igreja precisar, pode chamar as mulheres para o sacerdócio ministerial, o papel dos padres.”
As irmãs Leonor Angeli, Vera Loss, Maria Madelalena e Maria Bernardita Miranda, da Congregação das Irmãs Carmelitas do Divino Coração de Jesus (Foto: Juliana Cardilli/G1)Freiras da Congregação das Irmãs Carmelitas do Divino Coração de Jesus (Foto: Juliana Cardilli/G1)
Satisfação
O conclave de onde sairá o novo Papa só terá a participação de mulheres em cargos de apoio – no staff responsável por cuidar da alimentação, da limpeza e da coordenação dos aposentos onde os cardeais ficarão hospedados e também da Capela Sistina, onde serão feitas as votações. Pode-se dizer que a mulher mais “influente” no processo de transição no Vaticanoserá a freira que fará os ajustes necessários na roupa do novo Papa antes dele ser apresentado ao mundo.

Mesmo assim, muitas religiosas se sentem satisfeitas com seu papel. “Nós como mulheres dentro da Igreja devemos ser semelhantes à nossa Madre Santíssima, seguir seu exemplo de humildade e obediência. E estamos na espera de um novo Santo Padre, que seguirá a barca de São Pedro, que seja com a luz do Espírito Santo, ilumine e nos traga nosso novo guia. Temos que ser mulheres de oração, porque esta é nossa meta”, disse a freira Maria Bernardita Miranda, natural da Nicarágua.

A freira nigeriana Maria Madelalena, da Congregação das Irmãs Carmelitas do Divino Coração de Jesus, concorda que as mulheres devem ter um papel mais presente na Igreja, mas diz que as freiras devem rezar para que os homens façam o seu melhor. “Há muitas mulheres, jovem inteligentíssimas que podem ajudar na Igreja, podem ajudar o novo Papa. Mas são os homens que ainda decidem. Demos que rezar para que eles façam o melhor, sejam iluminados pelo Espírito Santo.”

A freira espanhola Maria Luisa Labarta relembra que uma participação real das mulheres, como poder de decisão no conclave, parece impensável atualmente. “Para isso, é preciso uma revolução na Igreja. Com o papa Bento XVI, as mulheres continuaram sem ter cargos de responsabilidade, mas por exemplo, ele ajudou muitas freiras, muitas trabalharam com ele, o ajudavam. Mas ainda demora muito tempo para que essa mentalidade mude dentro do Vaticano e que as próprias mulheres pensem diferente.”
http://g1.globo.com

Postado Por José Silva domingo, março 10, 2013. em . Faça um comentário, que ficaremos felizes! .

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