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Published On:quarta-feira, 6 de julho de 2011
Postado Por José Silva

Casamentos na velocidade do flash


O grande dia chegou. Eles estão no altar. Tudo corre na mais perfeita harmonia. Os convidados e padrinhos estão presentes, a igreja ornamentada para a ocasião e os fotógrafos e câmeras a postos, tudo para garantir o sucesso da celebridade. Nada pode ser perdido. Afinal, acontecimento como esse, só uma vez na vida. Pelo menos até que a morte os separe. Tudo corre como o esperado. Após os cumprimentos, os “pombinhos” se retiram para o “ninho”, e nada deve perturbá-los.

Até aí nada demais. Desde que iniciaram o relacionamento até se encontrarem no altar, tudo correu na mais perfeita paz. Pelo menos para eles. Afinal, estão apaixonados. Desde que se viram, num piscar de olhos, tudo mudou de repente. Seus olhos brilharam e o coração disparou. Seria “amor a primeira vista?” Não importa. Agora, só o tempo os separa do altar. Amando como estão, o importante é encurtar distâncias. Acreditam que nem mesmo podem separá-los. 

Contudo, justamente o tempo que parecia ser um grande aliado seus, acaba se tornando seu pior rival. O ninho dos pombinhos, agora, já não parece ser aquele lugar aconchegante, o melhor para se viver. Aos poucos, começa a se desfazer. O relacionamento, da mesma forma que se iniciou, começa a terminar: de maneira rápida, na mesma velocidade do flash da câmera fotográfica que, tempos atrás registrara o enlace matrimonial do casal. Agora só são (amargas) lembranças. O que aconteceu? E por quê? 

Atualmente, o período entre namoro, noivado e casamento tem se encurtado, ou seja, em menos de um ano ou em apenas alguns meses, muitas pessoas estão se casando rapidamente dizendo amar profundamente o cônjuge. Por que isso acontece? Segundo Jairo Gonçalves, psicopedagogo e pastor, explica: “Em matéria de comunicação e realização pessoal, vivemos um século da rapidez. Vivemos um tempo ‘neurótico’, onde tudo se processa de maneira veloz, assim como a internet.” Jairo ainda explica o fenômeno. “Outro fator que coopera para que os relacionamentos aconteçam rapidamente é o fator ‘amor à primeira vista’ e o fator ‘descartável’, ou seja, se não der certo, separa”. 

Recentemente a revista Veja publicou uma matéria com o seguinte título: “Esse casal viverá feliz... por dez anos” (edição 1.759, de 10 de julho de 2002). Na mesma, a americana Pamela Paul, demógrafa, especializada em lidar com estatísticas, analisou em seu livro The Starter Marriage and the Future of Matrimony (O Primeiro Casamento e o Futuro do Matrimônio), o motivo porque muitos jovens cada vez mais vêem se interessando pelo casamento, e, conseqüentemente, casando-se mais rápido. O mais citado pela autora em sua obra é o medo de ficar só. Segundo o livro “esse sentimento faz com que a decisão seja tomada de forma apressada.” Outro motivo seria o “desejo de construir a dois um lar que funcione como porto seguro num mundo cada vez mais cheio de incertezas.” Na reportagem a Veja a autora ainda destacou mais um ponto: "Boa parte das pessoas acabou contando que se casou porque viu os outros a sua volta se casarem", conta. 


Amor ou paixão?

Segundo outras autoridades acostumadas a lidar com a situação, há outras razões porque cada vez mais os casamentos têm sido fulgazes, e evaporado rapidamente. Uma delas é a dicotomia amor e paixão. Embora há quem acredite que as duas coisas são uma só, outros defendem uma opinião contrária, e vêem aí uma das razões do problema. “As pessoas acham que estão amando quando, na realidade, estão é sentindo forte atração física por alguém. Este é o motivo pelo qual encontramos muitas mães solteiras e muitos casamentos infelizes, pois foram motivados pela paixão e não pelo amor”, comenta Ciro Eustáquio. Ciro é pastor, coordenador do Ministério Edificando um Novo Lar e o responsável pelo Curso de Noivos, na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte. Ele ainda está a frente do trabalho da Corte e acompanha os solteiros adultos. 

Outro motivo apontado por Ciro em relação à brevidade dos casamentos hoje é a motivação, muitas vezes errada. Ele esclarece: “Um dos principais motivos pelos quais algumas jovens se submetem a um casamento ‘relâmpago’ é o desejo de saírem logo de casa, a fim de se verem livres dos seus pais ou de alguma situação que lhe incomoda. Outro fator é a vontade desenfreada por um relacionamento sexual. Assim, o casal inicia um relacionamento avançado e acaba encontrando dificuldades para manter a pureza, tomando assim a iniciativa de abreviar o tempo para o casamento.” Ele ainda acrescenta: “Todos os casais que se casaram com a motivação errada colheram terríveis conseqüências deste ato, e muitos deles não conseguiram manter o seu casamento estruturado.” 


A Igreja na questão 

A questão da rapidez com que muitos hoje têm assumido um relacionamento não é preocupação apenas de autoridades para-eclesiásticas, mas também autoridades que procuram nortear as pessoas quanto a sua conduta moral, como a Igreja Evangélica. Jairo Gonçalves avalia a questão da seguinte forma: “A Igreja, como instituição teológica, se opõe oficialmente contra toda e qualquer ‘corrida do ouro’. Entretanto, os seus membros se deixam influenciar pelos usos e costumes desse presente século mau”, afirma. O pastor Ciro também opina. “Entendemos que o casal precisa de tempo para desenvolver um relacionamento de amizade. Daí poderá conhecer melhor um ao outro, os familiares, e ter convicção de que realmente deseja assumir um compromisso de casamento.” Ele ainda diz: “Apesar de não existir um tempo ideal até que seja realizado o casamento, podemos dizer que este período deve ser suficiente para que haja conhecimento mútuo, onde o casal vai saber das manias de cada um, das perspectivas de vida, dos alvos propostos, enfim ter certeza de que poderá dar este passo de forma segura. Em princípio poderíamos dizer que o período de pelo menos dois anos é suficiente, dependendo da idade do casal. Se forem muito novos, provavelmente deverão esperar um pouco mais, até que haja estabilidade emocional, financeira e até sentimental.” 

Opiniões e preocupações à parte, há quem acredite não haver problema nenhum em se assumir um relacionamento, digamos, vapt-vupt, pois acham que o importante não é a temporalidade, mas a intensidade e a qualidade. É o caso da cabeleireira Flávia Biagini Svizzero, que namorou, noivou e casou em nove meses. “É claro que casamentos assim é uma via de mão dupla, ou seja, há dois lados. No meu caso e de meu esposo, nós já estávamos bem maduros. Eu tinha 25 e ele 24. Foi bom, pois não tivemos desgaste no período de namoro, e ficou mais fácil manter o nosso relacionamento na presença de Deus.” Ela, porém, adverte: “Sugiro que as pessoas pensem bastante. Isso é bem pessoal, vai de pessoa para pessoa. Existem aqueles que necessitam realmente de tempo, outros não.” Porém, existem aqueles que são mais cautelosos hoje e afirmam jamais assumirem um novo relacionamento sem antes esperar não só o momento e a hora ideal, como também ter a certeza de que vale a pena e de que Deus está no centro da situação. É o caso de A. M. F., que ao dar o seu depoimento, pediu para não ser identificada, temendo represália por parte do ex-marido. Ela conta: “Por um lado, reconheço que tive culpa pelo fracasso de meu casamento, pois Deus mostrou-me várias vezes que não era da Sua vontade. Pastores alertaram-me sobre o nosso relacionamento. Mesmo assim, namoramos, noivamos e casamos em 11 meses. O nosso casamento durou quase três anos. O meu ex-marido pressionava-me para casarmos logo e eu fui nessa onda. Ouvi dizer em uma pregação uma vez que “tudo que é feito sob pressão não dá certo”. Porém, era convertida há pouco tempo, e desde que larguei as coisas do mundo, almejava ter uma família, ter filhos... Porém, fui como muita sede ao pote. Depois de casarmos, ele piorou consideravelmente. As nossas brigas e as ofensas dele me magoaram muito. Hoje, sem dúvida, tenho muito mais sabedoria e discernimento.” Ela também aconselha: “Precisamos aprender a obedecer.” 


Conselho e canja de galinha... 

Se conselho e canja de galinha não faz mal, numa situação como essa, qualquer palavra de orientação por parte de quem está acostumado a lidar com assunto é bem vinda. Veja o que diz pastor Jairo: “Paulo diz que se alguém não consegue conter seu impulso sexual (abrasar-se), é melhor casar. Eu, porém, digo que melhor do que casar para apagar o fogo, é tomar uma ducha disciplinar diária da perfeita vontade de Deus e de Seus santos propósitos para um matrimônio com honra e um leito sem mácula.” Cabe aqui também as palavras do sábio Salomão contidas em seus provérbios, onde ele diz: “Os planos do diligente conduzem à abundância; mas todo precipitado apressa-se para a penúria.” (Pr 21:5.) 

Postado Por José Silva quarta-feira, julho 06, 2011. em . Faça um comentário, que ficaremos felizes! .

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