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Published On:sexta-feira, 20 de julho de 2012
Postado Por José Silva

Religião não motiva desistência de tratamento, diz psicóloga

Optar por uma religião vai além de frequentar um templo ou uma igreja, é escolher uma filosofia de vida. Quando o assunto é reprodução assistida, cada entidade religiosa tem um posicionamento sobre as técnicas. De acordo com Rose Massaro Melamed, psicóloga da clínica Fertility, de São Paulo, algumas pacientes apontam a questão religiosa como uma das angústias relacionadas ao processo do tratamento. No entanto, na maioria dos casos, o casal não desiste do procedimento por esse motivo. 

Rose conta que, em sua vivência na área, foram poucos os casais que deixaram o tratamento por conta de limitações relacionadas a opções religiosas. Para ela, quem segue rigidamente doutrinas religiosas contrárias às técnicas de reprodução assistida nem chega a dar início ao tratamento. 

Aqueles que estão em buscando as clínicas, mas se sentem incomodados com a questão da religiosidade, na maioria das vezes contam o problema para o terapeuta ou psicólogo. Segundo Rose, é difícil que o paciente leve o assunto para a sala do especialista em reprodução. "Essas pessoas, normalmente, vão ao consultório do psicólogo buscando se ouvir. Escutar se, em seu interior, ela se permitiu passar pelo procedimento, mesmo que haja divergências religiosas", explica. 

O que dizem as religiões 
A religião com um maior número de fiéis no Brasil é o catolicismo que, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), tem 123,2 milhões de seguidores. O levantamento revelou ainda que as igrejas evangélicas foram as que mais cresceram entre 2000 e 2010, atingindo 42 milhões de brasileiros. 

De acordo com Elizabeth Kipman, ginecologista, obstetra e membro da Comissão de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Igreja Católica brasileira segue os conceitos da "bioética personalista". Segundo a médica, essa linha ética faz questionamentos que vão além dos resultados e preocupa-se com os meios que serão utilizados para atingir o objetivo. 

Elizabeth explica que a Igreja Católica está de acordo com métodos em que não haja intervenção na geração do bebê, ou seja, os tratamentos para o preparo de uma gravidez que deve ser concebida com a participação única do casal. Ela discorda de técnicas como inseminação artificial intrauterina e fertilização in vitro (FIV). 

"A preocupação da igreja é que no ato de concepção não seja separado o aspecto unitivo do casal da fecundidade entre ambos", esclarece a médica. "A igreja preza pela união do casal. Portanto, ela concorda com os tratamentos que preparam a mulher para a gravidez, mas discorda daqueles que necessitam de uma intervenção de um terceiro no momento da geração." 

Segundo o deputado federal João Campos (PSDB-GO), líder da frente parlamentar evangélica, o grupo ainda não tem um posicionamento fechado sobre o tema. "Nós não somos contra. Achamos que é preciso encontrar um limite que respeite a ética médica e a cristã", afirma o deputado. "Por conta disso, nós propusemos uma audiência pública, que deve ocorrer em meados de agosto, para discutir o tema." 

Campos acrescenta que um assunto tão importante para a sociedade não deve ser regulamentado somente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e precisa de legislações próprias. 



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